> News / Cuidado: este banho não pode ser o último
  Cuidado: este banho não pode ser o último Por: Editoria IFSURF 24/02/2014
 

Cuidado: este banho não pode ser o último

24/02/2014 por Editoria IFSURF
img/site_720.jpg
  1. Cuidado: este banho não pode ser o último

    Raio que matou banhista em Santos! Foto:
  2. Cuidado: este banho não pode ser o último

    Foto:
  3. Cuidado: este banho não pode ser o último

    Foto:
  }  
  O internauta Gustavo Bellé sugeriu pelo facebook do ifSurf, que fizéssemos uma matéria sobre os riscos que os surfistas correm ao cair na água durante uma tempestade. Segundo ele, no último final de semana vários deles se arriscaram em meio a raios e trovoadas, na intenção de pegar as melhores ondas. Fomos pesquisar, e encontramos matérias interessantes sobre o assunto.


A pauta é interessante, e muito pertinente, já que atravessamos o período de maior ocorrência de tempestades no Brasil, quando a quantidade de raios é maior, e o perigo é supremo. Uma matéria publicada em agosto 1994 na revista Super Interessante da Editora Abril, apresenta o título: `Brasil: o país dos 100 milhões de raios`. A publicação exalta o país como campeão mundial, indicando ainda, que os raios `brasileiros` são, na maioria, positivos, considerados os mais perigosos. `Calcula-se que mais de 100 brasileiros morram todos os anos vítimas de raios (positivos e negativos)`. `Os raios que enxergamos saem da terra para o céu. Por ilusão de óptica, achamos que o clarão do relâmpago vem do alto para a terra. Porque alguns raios são positivos e outros negativos? O que os diferencia é o local da nuvem onde se originam. Os negativos saem da parte baixa da nuvem, onde se concentra a energia negativa. Já os positivos saem do topo da nuvem, onde ficam as partículas carregadas positivamente. Outra diferença é que o raio negativo carrega uma corrente contínua de 100 ampères (o ampère é a unidade de intensidade da corrente elétrica), enquanto o positivo carrega o dobro: 200 ampères, energia suficiente para alimentar vinte fornos elétricos domésticos`.


Já uma publicação na revista Mundo Estranho, também da Editora Abril, responde a pergunta: Quando um raio cai no mar, até onde vai a eletricidade?
`O raio se comporta da mesma maneira no mar ou na terra. A diferença é que, como a corrente sempre procura se concentrar no meio mais condutor, no mar aberto ela se divide igualmente entre o nosso corpo e a água. Já em terra firme, ela sempre se concentra no nosso corpo - e aí os danos são maiores`. Isto não quer dizer que ficar dentro d`água seja melhor que sair e procurar abrigo. `Uma pessoa nadando a até 50 m do ponto de incidência da descarga elétrica sofreria um choque de mais de 300 mA (miliampère). Resultado: um ataque cardíaco fulminante. Entre 50m e 85m, a descarga elétrica diminui, podendo variar entre 300 e 100 mA. O nadador sofreria queimaduras, asfixia e, em alguns casos, uma parada cardíaca, mas poderia se salvar. Entre 85m e 125m, a intensidade fica entre 100 e 50mA. Não é suficiente para matar ninguém, mas apenas porque a descarga elétrica de um raio dura pouco - cerca de um milésimo de segundo. Uma descarga mais duradoura nessa mesma intensidade, como no choque de um chuveiro, poderia, sim, matar. Já acima dos 125m de onde o raio caiu, uma pessoa no mar receberia uma descarga elétrica de menos de 50mA. Ela sentiria o formigamento típico, mas sem riscos. Mas vale lembrar que estes valores são só representativos. Durante uma chuva com raios, sempre saia da água e procure um local seguro.`


O Dr David Szpilman, especialista em salvamento aquático, com mais de 90 trabalhos publicados nesta área no Brasil e no exterior, também publicou matéria sobre o assunto, colocando a pergunta: SURFAR EM DIAS DE TEMPESTADES, É SEGURO?
`A possibilidade de alguém ser atingido por um raio varia conforme o número de pessoas expostas ao ar livre, e o número de tempestades, na área. As pessoas mais atingidas são aquelas que estão fora de casa, em ambientes abertos (praias, piscinas), onde elas se tornam o ponto mais alto. A pele molhada conduz a eletricidade 40 vezes mais rápido, e dentro da água, 66 vezes. O raio pode atingir o surfista de diferentes formas, no entanto dentro da água a possibilidade de ser atingido é muito maior do que na areia, mesmo estando molhado. Os tecidos de menor resistência a passagem da eletricidade são a pele, o cérebro e os músculos. As alterações mais graves são, a parada respiratória e ou a parada cardíaca, que levam a morte rapidamente se não for revertida por uma pessoa próxima. Ainda assim, caso não ocorra a parada respiratória, sabemos que a perda da consciência ocorre em 72% das pessoas, o que invariavelmente levará ao afogamento e consequentemente a morte.`


O Dr. ainda dá dicas importantes para não ser atingido por raios, e no caso de um acidente, como prestar socorro às vítimas. Confira:

Como evitar de ser atingido por um raio?
· Durante tempestades, saia imediatamente de dentro da água, onde você é o ponto mais alto e, portanto mais vulnerável. A areia é mais segura, embora ainda sim não seja o ideal.
· Só retorne ao mar 15 minutos após não haver nenhum trovão (atividade elétrica).
· Quando ouvir um trovão, procure abrigo no prédio mais próximo ou dentro de um veículo.
· Evite segurar objetos altos como sua prancha.
· Fique longe de Piers, e estruturas de metal que podem conduzir a eletricidade de longas distâncias até você.
· Em piscinas descobertas o raio também é uma possibilidade. Retire todos da piscina ao menor sinal de trovão e/ou raios.
· Roupas de borracha ou nadadeiras não evitam de ser atingido.
· Em dias claros, os trovões podem ser os únicos indícios da existência de atividade elétrica na área. Para saber a distância entre a queda do raio e o local onde você se encontra, conte, 1, e 2, e 3,... até ouvir o trovão. Divida o número achado por 3, e será a quilometragem que a tempestade está de você.
Não dê mole para o acaso, todos estes fatos colocam o surf como um esporte de alto risco em dias de tempestades.


O que fazer para ajudar a vítima por raio, dentro da água?
1. Proteja-se de ser atingido antes de iniciar a ajuda. O raio pode cair no mesmo lugar duas vezes!
2. Cheque se a vítima esta respirando (ABC da vida dentro da água). Caso não tenha respiração, inicie imediatamente o boca-a-boca e reboque a vítima para a areia.
3. Na areia, peça a alguém que acione uma ambulância através do telefone 193 (Bombeiros) e continue fazendo o boca-a-boca até a ambulância chegar, ou a vítima reagir.
4. Procure aprender Suporte Básico de Vida (ABC da vida), pois disto pode depender a vida de seu `brother`.

Por tudo isso, o melhor conselho que podemos dar a respeito do assunto, é ter cautela e ao menor sinal das descargas elétricas, sair da água imediatamente. Melhor garantir muitos anos de surf, do que arriscar a vida em um único banho com boas ondas.

*Fontes:
Revista Super Interessante - Edição de agosto de 1994 ( http://super.abril.com.br/cotidiano/brasil-pais-100-milhoes-raios-441018.shtml )
Revista Mundo Estranho - Edição número 112 ( http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quando-um-raio-cai-no-mar-ate-onde-vai-a-eletricidade )
Dr. David Szpilman - ( http://www.szpilman.com/biblioteca/acidentes_aquaticos/raios_tempestades.htm )
 
 
4119 Acessos
  Deixe seu comentário em "Cuidado: este banho não pode ser o último"
 

(51) 8235-0004
contato@ifsurf.com.br
VDesign
Desenvolvido por
Felipe Janicsek